Se te amo...?
Isto não é amor. É loucura, assombração, hábito, desespero. É agonizar, é sentir que tudo se desfaz numa tortura constante em que as vísceras se dilaceram até faltar o ar. É angústia, perseguição, mal olhado, maldição. É sortilégio que me arrasta para ti, que me deixa sempre ao teu dispor à mão de semear, mesmo ali ao lado, num “estantinho” vou num pé volto noutro. É desejo, é vontade, é o “não há duas sem três”, quatro, cinco… É masoquismo, desilusão, cegueira que tu alimentas, só pelo prazer de apreciares o espectáculo do monstro que habita no meu ser a devorar-me, enquanto eu me contorço com uma dor invisível que se sente. É sufoco, impertinência, insanidade. Como se eu não conseguisse respirar se tu não vivesses dentro de mim. E tu comandas todos os meus passos, tens todo o poder de quem manda e desmanda na minha não existência. Ocupas a minha mente em cada milésimo de segundo que passa. És a minha droga, o meu vício por isso nunca fico sóbria, lúcida, capaz. És a minha única cura. E a minha sobrevivência (sem ti) é inatingível. Isto não é amor. É demência, praga, macumba, encantamento, feitiçaria da minha alma. Sei lá o que é. Seja lá o que for. Perseverança infinita, sonho inabalável… muito, muito desamor por mim própria.
*MINHA ALMA É SIMPLES,MEUS SONHOS CONCRETOS,MEU CORAÇÃO ABSTRATO.* ps-voam se as folhas levando meus sonhos…carregadas pelo vento para o infinito,se perdendo para sempre.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Escrevo-te em silêncio para que ouças melhor aquilo que não te digo. Ocultando nestas palavras, o carinho desmedido que te tenho e nelas não cabe, nem que as inventasse de novo tentando acertar em vão no número correcto. Há fantasmas em mim que desconheces, que nunca se pronunciam vivendo num mutismo atroz que me esmaga os sentidos. E eu, não sou só eu, donzela casta e imaculada, mas sou também isto tudo que tu não vês, este excesso de carga, sempre acima do peso desejado e permitido por lei. Por isso recuo, escapo-te entre os dedos como a água a transbordar da fonte e há recantos no meu corpo que permanecem anónimos ao toque suave das tuas mãos, mesmo quando a minha pele arrepiada quer ficar quase, quase encostada à tua, desejando não ter mais para onde fugir. É nesse preciso instante que chego por um momento a desmaiar no conforto do teu aconchego e a acertar o batimento do meu coração para ele poder viver no exacto registo do teu. Nesses dias em que me agarras num impulso decidido com a ternura que te envolve cada gesto, sinto o mundo prestes a parar debaixo dos nossos pés, como se lá fora não existisse mais do que o vazio e a nossa respiração sincronizada ditasse exactamente a velocidade da rotação da terra. Tu perdido gentilmente no fundo das minhas costas, com vontade de me eternizar no tempo e eu a gostar de te sentir no deleite dos meus lábios, com um sorriso desenhado a tinta permanente como o perfeito álibi do ‘para sempre’. Já sabias que seria assim, o meu corpo abrigado no teu regaço e a tua aura a agasalhar o meu desamparo. Tens a intuição dos sábios, mas nunca te tinhas cruzado com a teimosia pura e lendária da minha irrealidade. Faltava-te o conhecimento aprofundado do meu mundo, por isso, a arritmia súbita e descompassada da tua alma quando deu de caras com a minha, com aquela mania dela de que é náufraga e de inventar oásis que viram o seu porto de abrigo secreto onde para entrar é preciso mais do que os doze trabalhos de Hércules. Foi neste momento, que senti o teu passo a cambalear e a música, obra-prima tua, a baixar de tom até virar um sussurro indecifrável… E os teus olhos tristes como dois rios a desaguarem em mim. Hoje, enquanto tento decifrar em que nota nós imortalizamos esta doce melodia da nossa amizade, apercebo-me que nunca nos despiremos um do outro e que todas as noites a palavra saudade terá o teu nome.
Amanhã ainda recordaremos com carinho o meu pedido nunca atendido, repetido até à exaustão:
‘Promete-me que não te apaixonas por mim’…
Amanhã ainda recordaremos com carinho o meu pedido nunca atendido, repetido até à exaustão:
‘Promete-me que não te apaixonas por mim’…
Desde que entraste no meu caminho eu passo a vida a tropeçar em ti. Mesmo quando desejo que nada me sejas e que não passes só de mais um espaço no tempo para encher o dia. O vazio enche-se com vislumbres da tua ausência, em cada esquina, em cada olhar sem vida dos que por mim passam. E eu vou deambulando distraída na espera morosa, que a vontade se sobreponha à consciência, sabendo que não me encaixo no papel reservado, que não sou dotada para estes enlaces duplos e que meto os pés pelas mãos. Anseio-te, no segredo dos deuses sem eu mesma saber, na sombra inerte dos meus valores morais. Digo aos quatro ventos que é impossível acontecermos e sorrio em tom de disfarce, no vão das coisas que me dizes, nesta nossa história com coordenadas erradas e ruas estreitas. E o nosso receio de nos apanharmos os dois em contramão. Os teus silêncios abruptos como nós na garganta (que eu já não estranho) o teu passo hesitante, o medo de ficares fora de jogo e perceberam onde te leva o coração a sufocarem-te com o nervoso miudinho e o stress pós traumático de te teres chocado contra mim numa curva apertada. E eu que sempre me recusei a fazer rendilhados e a passear-me por becos sem saída… Não há nada que não me possas dizer que eu já não saiba, nos nossos devaneios de honestidade onde as tuas palavras enumeram em mim a perfeição que eu não encontro e os teus olhos esmeralda descobrem tudo o que até então só nos sonhos existia. Tu que tens pressa, que andas de Ferrari, que cobras e que queres a tradução do meu desejo em sílabas e frases feitas esqueceste que eu sou do tempo dos coches e que ainda tenho essa infantilidade de acreditar nos contos de fadas e os seus afins. Não tenho perfil para destruidora de lares, mesmo que neles a felicidade não abunde e que por vezes pense que te deitas com a pessoa errada, quando saio para a rua e as estrelas já povoam o céu sabendo que ao menos temos o prazer de apreciar a mesma lua. Virei-te do avesso sem nunca sequer ter sentido o teu toque, não me transformei em corpo presente nos teus dias mas virei intrusa na tua mente, por isso aprendeste a manter-te na minha margem a contemplar-me em terras de ninguém. Eu que fiquei em ti, como uma marca de água ténue, daquelas que não se apagam, que quase ninguém vê, mas que quem a tem não a consegue esquecer. Ambos marcamos a nossa posição, eu, neófita nestes jogos perigosos e sem jeito para disfarces brejeiros e tu homem de boa índole a abrirmos espaço e a acumular matéria entre nós negando-nos ao passatempo das horas conjuntas nos dias X do calendário. Mas não é por isso, que ainda hoje quando te digo que qualquer dia desapareces do meu mapa e apagas-me do teu que tu deixas de desafiar a gravidade colocando o teu pezinho em ramo verde e de dizeres em tom de brincadeira e com um sorriso de miúdo traquina: “Qualquer dia apago tudo o que tenho (só) para te ter no meu mapa.”
A presença da ausência sempre grudada na pele, desejando distância desta nossa distância que me dói. Quantas vezes te esqueci sabendo que me eras tanto e que esquecer-te não passava de ilusão minha. Estas ruas onde me perco, ansiando encontrar-te em esquinas que me enchem, só para me lembrarem do meu vazio de ti. Fecho os olhos de mágoa, almejando-te ainda, meu ‘lar doce lar’. E sinto o meu coração pulsar, sorrindo por te saber, ainda dentro dele.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Caro amigo Daez!!venho sensibilizada agradecer a gentileza de esta sempre edificando algo por aqui.Obrigada tb pelas constantes visitas ao meu blog.Pra mim é motivo de muito orgulho e satisfação,poder contar com carinho espontâneo de sua amizade,e saber que juntos estamos edificando algo bacana distribuindo amor a tantas pessoas que assim como nos aprecia uma boa leitura,[uma bela poesia]então deixo aqui o convite de sempre passar e tomar comigo um cálice de poesia rs...
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